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Por que o francês?

Atualizado: 1 de dez. de 2023



Clichés à parte, algumas das maiores representações sobre o francês são ciências humanas, arte e literatura. Mas a área tecnológica também não fica tão atrás, lembremos do programa “Ciências sem fronteiras”, criado em 2011, financiado pela Capes, CNPq e empresas parceiras. Quem quiser saber mais sobre como está o programa hoje acesse: https://www.gov.br/cnpq/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/programas/ciencia-sem-fronteiras


Mas muito além disso, mesmo sendo suspeito para falar, a língua francesa suscita paixão. Pergunto aos meus novos alunos se têm “objetivos específicos”, a fim de propor um curso mais adaptado. E mesmo com uma orientação mais específica, o que predomina é o interesse cultural da língua. E quando digo “língua” me refiro mesmo ao idioma que ultrapassa as fronteiras da França. Qual é o país de origem de Picasso, Salvador Dali, Jacques Brel (“Ne me quitte pas”), Aznavour, J. J Rousseau!?… a lista é loooonga! Convido vocês a continuar a busca comigo.


O que acontece em Paris e com a língua francesa para se exercer um charme tão poderoso? Porque o jazz, música popular de encorajamento dos soldados americanos, vira estilo de excelência ao passar pela França? O que faz o então prefeito Jacques Chirac entregar a “medalha de Paris” a Miles Davis? O que faz Jim Morrison, decepcionado com as armadilhas do sucesso, “resolver” ir morrer em Paris? O expatriamento voluntário de Hemingway? Sim, mas voltei para o lado de dentro da fronteira, eu sei. É só pra sair de novo.


Vamos à francofonia. A França se espalhou nos 5 continentes com suas colônias, depois algumas ex-colônias, se expandindo economicamente, politicamente e, claro, linguisticamente. A língua francesa passou a ser uma das línguas globais. Isso já tinha acontecido durante o Iluminismo, mas agora não se trata somente de um círculo de aristocratas ocidentais, o que deu origem ao estatuto de língua diplomática. A língua francesa viajou pelo mundo, assimilou elementos locais, mantendo “uma essência” ao mesmo tempo. O inverso também acontece. Como mencionei acima, muitos tidos como franceses são de outra origem sem que muita gente saiba. Eles trouxeram novos elementos, enriquecendo, tanto a cultura, como a língua. Se existe um grande interesse econômico e político na francofonia, existe também um movimento espontâneo que ultrapassa esses interesses - Dieu merci!


Além disso, hoje ser francófono não se limita mais ao locutor francês de língua materna, mas também adquirida! Ou seja, você pode vir a ser francófono(a)! Isso significa um reconhecimento de que a língua é viva, assimilável, mutável, portadora de elementos culturais diversos e não somente “intramuros”. Vocês devem conhecer escritores francófonos, de países francófonos diversos, mas talvez não conheçam os tantos escritores tidos como não francófonos que escrevem em francês. Eu mencionaria o bem conhecido checo Milan Kundera, autor de “A insustentável leveza do ser”. Esse fenômeno, que deu origem a um conceito chamado “literatura-mundo”, compreende autores de livros em francês que não eram necessariamente francófonos, que não queriam se enquadrar no rótulo “escritor francófono”. Logo, você pode vir a ser francófono, e escritor em francês, introduzindo seus referenciais culturais em sua obra, sem precisar se rotular um escritor francófono! O francês é um idioma livre e atraente.


Finalmente, se expressar em francês não vai somente facilitar suas viagens, mas fazer você captar as sutilezas culturais que nenhuma câmera de celular consegue. Uma nova perspectiva linguística do mundo é uma nova perspectiva do mundo.


 
 
 

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